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domingo, 15 de dezembro de 2013

A Ilusão em pessoa

Quando abri os olhos a luz do sol bateu-me nos olhos fazendo com que eu os rapidamente voltasse a fechar. Às apalpadelas sai da cama e fui para a casa de banho lavar a cara. Abri lentamente os olhos e, olhando para o meu reflexo, tentei decifrar o que se tinha passado na noite anterior pois eu estava de roupa interior e de cabelo completamente despenteado. 
Após tentar domar o cabelo, regressei para o meu quarto e fiquei estupefacta assim que me cheguei ao pé da cama... Estava ali deitado um homem moreno e musculado de cabelos negros! Mas quem era ele?! 
De repente ele agarra-me, puxa-me para dentro da cama e beija-me apaixonadamente. Não sabia o que fazer! Sussurrou-me ao ouvido para relaxar e apenas me deixar levar.
Acariciou-me os lábios com o pulgar e simultaneamente olhou-me nos olhos com desejo. Beijou-me novamente. Os seus lábios eram tão suaves e doces que provocavam em mim este desejo que querer mais e mais. Inspiro, expiro, suspiro. Ele toca-me suavemente... os seus movimentos são tão rápidos e ágeis que me impedem de me desenlaçar da fantasia... gemido... Ele prende-me em seus braços puxando-me mais e mais rápido para ele. Estamos tão perto do precipício, tão longe da realidade. Inspiro, expiro, suspiro. Não quero que ele pare... gemido... Caímos no precipício, ofegantes, beijámo-nos... Adormeço.
Voltei a abrir os olhos, está de noite, está escuro e estou sozinha na cama. Levanto os lençóis e vejo que o meu corpo está coberto por pijamas. Bocejo. Saiu desastradamente da cama e percorro a casa, porém não há sinal de ninguém, nem de vestígios de alguém ter estado em casa aquela manhã...  Bocejei. Voltei para a cama, deve ter sido apenas um sonho...

sábado, 12 de outubro de 2013

CONTO: « E se eu dissesse que nunca te esqueci? »

O barulho do autocarro fez-me acordar de sobressalto. Atónita, olhei em redor e deparei-me com a maioria dos passageiros em pé. Uns procuravam as malas, outros esperavam, impacientemente com as malas na mão, que a fila se deslocasse. O jovem rapaz, de maciços caracóis loiros que passara a viagem toda sentado ao meu lado, olhou para mim, e com ar fatigado, explicou:

 
 - Houve uma avaria qualquer e agora temos de percorrer o caminho a pé até à aldeia mais próxima.

Assenti e esboçando um sorriso cansado, encostei a cabeça na janela à minha esquerda, olhando lá para fora. O vento abanava os ramos das árvores com tanta veemência, que pareciam querer largar-se e voar a qualquer instante. O sol ainda brilhante e maravilhoso ameaçava desaparecer sobe a linha do horizonte.
  " Sam! " , ouvi alguém chamar. " Sam?! " , voltou a chamar. O rapaz ao meu lado agitou-se no banco. Olhei para ele, estava completamente imóvel. 
  " O que se passa? " gesticulei com os lábios, pondo-lhe a mão no ombro. " É a minha irmã. " sussurrou. E assim, como se fosse a sua deixa, apareceu uma moça cintilante de cabelos loiros ondulados.

  - Porquê que fugiste?! - perguntou numa voz esganiçada, dando-lhe um empurrão. Só segundos depois é que reparou em mim. - Ah! - exclamou. - Sou a Clara! - sorriu. - Ele é o Sam... suponho que ele nem se apresentou. - fez uma careta. 
  - Olá Clara, sou a Su. - retribui o sorriso.
Sam fez uma careta e depois começou a rir. Em seguida Clara também se riu e eu, inevitavelmente, me juntei ao coro de gargalhadas. Assim que conseguimos parar de rir, pegamos nas malas e saímos do autocarro tal como todos os outros.
  - E agora? - perguntei.
  - Vamos andar até à Aldeia Violeta. - murmurou Sam enquanto tentava perceber o mapa que tirava do bolso. Aldeia Violeta. O nome era-me estranhamente familiar.

Repentinamente, tive um flashback: vi-me em criança a brincar com um rapaz mais velho. Riamos, felizes com a presença um do outro. Uma senhora, minha mãe, estava sentada no sofá a arranjar um par de calças.

  -   Su... Su?   - Alguém me acordou daquele sono acordado, o Sam. -  Estás bem?   - perguntou preocupado.

Acenei afirmativamente coma a cabeça e comecei a andar arrastando a mala atrás de mim enquanto Clara e Sam, em passo de corrida, tentavam me acompanhar. Após termos passado vários quilómetros, depará-mo nos com uma pequena cidade praticamente isolada na floresta. Era ali, a minha casa, a minha terra natal! Uma lágrima escorreu-me pela face ao lembrar-me de todos os momentos que passaram nesta aldeia. Limpei a cara com a manga da camisa e sorri. Pé ante pé, avançávamos pela cidade. Agora, a única coisa que iluminava o nosso caminho eram as poucas luzes que emanavam das janelas das casas e da lua.
Observei o caminho de pedra, os becos e as lojas, relembrando a minha feliz infância. Ao chegarmos ao fim da estrada de pedra, depará-mo-nos com uma casa discreta, escondida por vários pinheiros. Sorri.

  -    É ali. A minha casa.   - puxei o Sam pela mão em direção à casa.

Bati à porta. Um homem musculado e alto, de face simpática, abriu a porta. Era ele, o meu irmão!

  -   Su? Há quanto tempo?   - Abraçou-me. - Entrem, entrem!

Entramos e fomos até à cozinha conversar. Passado umas horas, convidou Sam e Clara para passarem as férias connosco e claro que aceitaram.
Já na cama, apesar de exausta, não conseguia dormir. Algo me atormentava o sono, impedia-me de dormir. Saudades? Sim, mas de quê? Fechei os olhos e, sem mais nem menos as lágrimas apareceram inundando-me a cara e levando com elas toda a alegria que me restava. Limpei-as e aconcheguei-me à almofada e assim fiquei. Quando dei por mim já era de dia. Sai da cama e fui comer cereais. O galo não tardava em cantarolar, por isso vesti-me o mais rápido que pude e sai de casa, tentando chegar à igreja o mais depressa possível. 
Entrei cautelosamente. Estavam todos de pé a cantar. Assim que pararam, o Padre concluiu a missa, dando os bons-dias e permissão para que saíssem. Fui empurrada para fora de lá. Esperei que todos seguissem o seu caminho e à sua rotina. Suspirei impacientemente.
De repente, dei de caras com ele. Nunca mais o vira, mas agora lá estava ele, à minha frente. De mãos nos bolsos e com o mesmo olhar sereno de antes e sorriso cativante, aproximava-se de mim. Todo o meu corpo tremia, e aquela sensação ácida e familiar apoderou-se do meu estômago. Ele sempre tivera esse efeito em mim. Já ao meu pé, sem dizer uma única palavra, abraçou-me com força. Retribui o gesto apertando-o ainda mais contra o meu corpo. Há tanto tempo que ansiava aquele reencontro. Larga-mo-nos.

   -   Tive saudades tuas.   -  olhou-me de cima de cima a baixo.
  - E eu tuas. E pelos vistos continuas o mesmo "engatatão" de sempre, mesmo sendo Padre...   -  sorri.
   -   Nada disso.   - fingiu-se inocente -  Amor... hoje foi a minha última missa. Vou desistir.
   - Porquê...? Porque me chamas de "amor" ?
   - E  se eu dissesse que nunca te esqueci?

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Aquela Praia Deserta...

Estava ali sentada na areia de uma praia deserta, olhando para as ondas cinzentas e ligeiramente agitadas, sem pensar em nada que não fosse as ondas cinzenta. Senti algo tocar-me nas costas muito levemente, virei-me e dei de caras com um Ser de estrutura magnificamente imaculada quase perfeita...Ele estendeu-me a mão como que me convidando para dançar a valsa. Observei a sua mão seguidamente a sua face voltando novamente a olhar para a mão. Estendi o meu braço hesitando antes de agarrar na sua mão. A sua mão estava quente e agarrara na minha mão de forma delicada mas firme. O seu olhar brilhante fixava-se no meu, convidando-me a confiar nele, e assim o fiz. Sorri, parecia que lhe conhecia a uma eternidade... Deixo-me guiar por ele até ao mar, que agora já se acalmara um pouco, entrando pelas ondas a dentro. Soltou-me a mão e sorriu convidando-me, novamente com o olhar, para lhe seguir o ritmo enquanto nadava. Ele nadava de forma tão graciosa e descontraída que nem parecia humano. Desajeitada tentava acompanhá-lo e assim que apanhei o geito esqueci-me completamente dos meus stresses, problemas, ansiedades e medos.
Após nadarmos durante algum tempo regressamos à praia e senta-mo-nos lado a lado na areia maciça. Ao lado daquele Ser misterioso estava um cesto de piquenique repleto da minha comida favorita. Ele abre o cesto e de lá pairou o cheiro do seu conteúdo deixando-me com água na boca. Em seguida ofereceu-me um Oreo. Agradeci, peguei na bolacha e dei uma dentada, até parecia que era a primeira vez que estava comendo aquele tipo de bolachas! 
Assim que paramos de comer levanta-mo-nos e ficamos frente a frente. Sorriu ternamente para mim e senti-me a corar. O quê que quereria aquele ser de mim? Estendeu a mão e colocou uma madeixa de cabelo atrás da minha orelha. Com a outra mão puxou-me para o seu peito envolvendo o meu corpo num quente e doce abraço. Depois, vagarosamente, largou-me sorrindo e fez uma vénia. Ri e corei simultaneamente fazendo também uma vénia. 
E assim Ele se afastou de mim tão subitamente quanto apareceu...

quinta-feira, 23 de maio de 2013

« Não é insónia, é saudade. »

O relógio marcava as quatro horas da manhã... Lá fora a chuva caia, fazendo um tilintar hipnotizaste. Na cama ela permanecia inerte, enrolada no calor das memórias. Não conseguia parar de pensar nos na hipóteses de um passado diferente, nas opções que não considerou, os erros que cometera e nas oportunidades que perdeu... Não conseguia esquecer nem perdoar o mal que lhe fez. Ele era um doce de pessoa, tão maravilhoso, tão... tão... tão perfeito! Ela não se sentia digna de estar ao seu lado. Ele era perfeito demais para ela.
Enquanto as lágrimas lhe corriam pelo rosto e o coração se apertava no seu peito, as memórias deles os dois assombrava a sua mente. Todas as conversas até a madrugada e todas as gargalhadas e todos os toques e todos os olhares... agora resumiam-se a nada. Ela jurara nunca partir-lhe o coração, mas assim o fez. Mesmo sem ter tido a intenção de o magoar, magoou  Contudo, apesar de toda a dor, bem lá no fundo ela sabia que o amava de um geito diferente e que eles nunca poderiam estar juntos...

domingo, 16 de dezembro de 2012

Talvez

Eram quatro horas da manhã. Lá fora a chuva caia, fazendo um tilintar hipnotizaste. Enrolada no calor e nas memórias, ali seu corpo pálido permanecia, inerte. Ela não conseguia, não queria, sair daquele transe. Para ela aquele momento semi-acordada ...semi-adormecida... era a sua forma de estar mais perto dele. 
Lembrava-se de todos os casais felizes que vira nesse dia, todos os bebés, todas a famílias 'perfeitas'... 
Imaginou, então,como seria a sua vida dali a 10 anos. Talvez teria o seu emprego de sonho, um salario bonzinho, um marido que a fizesse sentir amada e a desse vontade de o amar ainda mais a cada dia que passasse. Um homem paciente, terno, doce, engraçado, compreencivo... Um homem forte e cavalheiro -> ele. 
Talvez tivesse duas pestezinhas lindas: gémeos, como sempre quis. Um de cabelo encaracolado outro de cabelo liso de olhos negros... Que ora a fizessem rir pelas brincadeiras, caretas e risinhos ou a fizessem zangar pelas asneiras e traquinisses! Enfim...


Talvez ela tenha a vida 
que sempre espeouter. 
Talvez envelheça 
com alguém ao seu lado. 
Talvez tenha 
muitas aventuras. 

Talvez...  
Apenas talvez...

sábado, 15 de setembro de 2012

Memórias, Desejo e Destruição.

Ele por fora é igual a qualquer outro rapaz que a sociedade considera belo - alto, moreno, com músculos definidos, dentes brancos que formam o mais perfeito sorriso, olhos misteriosos, forma de ser relaxada... - por isso quem é que não gostaria dele? 
Todos vêem o seu exterior: o seu sorriso honesto, a sua momentânea alegria... mas poucos sabem o seu interior. Ele é um labirinto de dor, sofrimento, de sonhos destruídos; um coração rasgado, uma alma perdida... Ele mostra-se sereno e disfarça a dor com o seu doce sorriso, mas poucos vêem além disso. Ele não é perfeito e é isso que mais gostas nele. Ele é muito mais profundo do que parece... Quando pensas que descobriste a fonte do seu Ser dás por ti de volta no início. Ele é um mistério. Ele é uma aventura. Ele é uma droga. Ele é um sonho. Ele é um desejo. Ele te captura e nunca mais te larga. Ele faz-te sentir o que nunca antes sentiste. Ele te põe confusa. Ele te confortável. Ele faz-te feliz. Ele é quem sempre esperaste! Mas chegaste tarde... porque agora ele está partido, destruído por dentro. Não há nada que possas fazer. Nada que possas dizer. Ele é teimoso! Não te vai dar ouvidos. Não vai acreditar na felicidade que lhe tens para dar. Destruíram-lhe. Ele te mente, ele te magoa, ele te usa... ele não sabe como ver-se livre da sua própria dor e é destruindo-te também que ele acha conseguir voltar a sentir. Mas tu ama-lo. Voltas sempre. Nunca vais parar de acreditar nele. Acreditas que ele há-de mudar. Mas um dia algo vai mudar. Vais começar a ficar como ele. Vais reparar na mudança. 

E depois o que acontece? Depende de ti. 
A escolha sempre será tua...

sábado, 16 de junho de 2012

*Headphones, uma carta e memórias...

Hey... Como tens passado? Não sei porquê que te escrevo... Apenas tenho saudades... deve ser isso. 

Tenho saudades tuas... do teu cabelo que tinha sempre a mania de cair sobre a tua face e tapar-te os olhos, das tuas mãos macias entrelaçadas nas minhas, dos teus lábios doces nos meus, dos abraços apertados, dos carinhos. Saudades de segurar a tua mão e de ver as expressões chocadas dos outros enquanto andávamos de mãos dadas... Saudades do teu sorriso, da tua voz, do teu riso alegre... Saudades das tuas caretas fofas, dos teus implicansos'. Saudades desses teus olhos brilhantes! Saudades dos nossos passeios, das nossas conversas, das nossas brincadeiras. Saudades dos nossos olharesSaudades do que tínhamos, apesar de saber que não era perfeito :c saudades de ti e de tudo o que tinhas para dar. Saudades das pequenas coisas: surpresas, presentes, frases que me dizias... 
Saudades daqueles nossos momentos
Voltas para a minha vida? 

terça-feira, 15 de maio de 2012

CONTO: Tudo estava prestes a mudar...

~Palavras que se revelaram apenas isso, palavras~

O alarme no telemóvel tocou, desligou-o abrindo lentamente os olhos. Assim ficou fitando o tecto. Era só mais um dia, um como qualquer outro. Um dia em que mais uma vez ela teria de esboçar um sorriso e dizer "está tudo bem" só para não preocupar os outros. Um dia repleto de dor, perda e uma réstia minúscula de esperança...  
Voltou-se para a janela. 
Pensara já ter ultrapassado toda a dor que ele lhe causara. Pensara que já não sentia saudades dele. Pensara que ultrapassara tudo e que seguira em frente. Pensara finalmente ser forte para seguir em frente outra vez... mas afinal ainda sentia saudades dele e do que era com ela.
Suspirou e arrastou-se para a casa de banho. 
Olhou-se ao espelho. Passou as mãos pela cara, e assim, sentindo as olheiras criadas devido às noites que passara em claro remoendo pensamentos e emoções. "Tu queres sempre prolongar o teu sofrimento enquanto eles querem acabar o deles." dissera-lhe uma vez a sua irmã.  Ela tinha razão. Ela quando amava, amava mesmo de verdade e fazia tudo pela pessoa nem que fosse sofrer por ela. Mas nenhum permaneceu o tempo suficiente para ver que ela realmente amava. Acontecia-lhe sempre isso. Fora novamente abandonada. Não bastou à nascença ser abandonada pelo pai, mas agora, também era constantemente abandonada por aqueles que ela amava...
Voltou a suspirar. 
Arranjou-se e preparou as coisas para a escola. Quando tudo estava preparado para o seu longo dia na escola, sentou-se à frente do portátil e escreveu. Desabafou, chorou, tremeu e o seu coração novamente se desfez... Olhou para o relógio. Já eram horas de sair de casa. 
Correu para a casa de banho e fez os possíveis e impossíveis para esconder os vestígios do seu choro, contudo os seus esforços foram em vão, por isso limitou-se a pegar na mochila e dirigir-se à rua. Entrou no autocarro e sentou-se ao pé da janela e encostou a cabeça ao vidro. Fechou os olhos sentindo a brisa morna vinda da janelas abertas afagar-lhe o cabelo.
Imaginou-o ali ao seu lado: a sua respiração no seu pescoço, os lábios doces sussurrando-lhe ao ouvido, os dedos no seu cabelo, os braços segundo-lhe firmemente e protegendo-a, o calor dele a aquecer-lhe a pele... 
Mais um suspirou. 
Abrindo os olhos. Estava quase a chegar à sua paragem. Tocou na campainha, o autocarro parou e saiu. Andou em passo lento por entre crianças que contavam às mães o que tinham aprendido naquela manhã, por grupos de jovens que se riam e falavam sobre coisas banais, por casais andando de mão em mão completamente alheios ao mundo à sua volta... 
Entrou no edifício grande, sentou-se na sala onde teria as aulas e lá permaneceu o dia todo. O tempo parecia nunca passar. O sol enfraquecia, o professor explicava a matéria, os colegas falavam e mandavam bilhetinhos uns aos outros... e ela era a única ali que, apesar de lá estar não estava. 
A sua mente vagueava por entre memórias. Recordações de momentos bem passados. Carícias, beijos, olhares e abraços. A voz, o toque  e o calor dele. A sua pele na dela. Palavras que a faziam corar, tremer, ansiar, sonhar e feliz. Que a faziam se calar, que a faziam nervosa... Palavras que se revelaram apenas isso, palavras. Memórias que ela agora ansiava ter de volta, mas que já não faziam sentido nenhum. 
O toque se saída marcou o fim do dia de aulas. Ela jogou tudo para dentro da mochila e preparou-se para o regresso ao seu abrigo - seu quarto, onde poderia ficar e esconder a sua tristeza de todos.
"Até manhã!" - Exclamaram as suas amigas. Ela virou-se para elas, reuniu todas as suas forças e sorriu-lhes, retribuindo o gesto.
Decidiu andar até casa para assim desanuviar as ideias. 
Pelo caminho deparou-se com um rapaz lindo: olhos cor de mel, cabelo encaracolado loiro-escuro, alto e de tez morena; que a fitava-a com curiosidade. 
Ela ignorou-o o mais que pôde, mas soube que era um sinal. 
Um sinal de que tudo estava prestes a mudar...